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Mostrando postagens de 2012

Um Cadáver ouve rádio - Parte 7

Um chinês tocador de sanfona? Yuri encontrou o primo folheando os jornais do dia, nervosamente. - Como eu imaginava! Apenas algumas linhas sobre o assassinato de Boa-Vida. Se fosse rico o caso mereceria meia página... - Melhor assim - replicou Yuri. - Não assustará o criminoso. Nina entrou na sala com um espanador. - Foram ao cemitério, Yuri?  - Voltamos agora. Como enterro de indigente até que não foi mau. Havia um padre e algumas pessoas do bairro. Mamãe levou flores. - Não pude ir - lamentou a tia. - Mas orei por ele. Yuri passou a Francisco o cartão de Dalyana. - Havia uma pessoa desconhecida para nós no enterro. Já ouviu falar dela?  Nina também foi ler o cartão. Não sabiam quem era Dalyana. - Alguma amiga de Boa-Vida? - Vocês não adivinhariam nem amanhã - disse Yuri, dono do seu mistério. - Tem o nome dele, Souza - observou Francisco. -  Só pode ser parente. Sabendo do espanto que ia causar, Yuri sorriu. - Mulher de Alexandre. Boa-Vida era casado embora vivesse separado da mulher. Jamais terí…

E ai? Alguém quer?

Desisto disso, daquilo e do próximo. Desisto de tentar me entender, de entender meus sentimentos, minhas fragilidades…Minhas coisas. Posso entender o mundo inteiro, mas, sinceramente? Preciso de alguém que me entenda, de corpo e alma, que me conheça tanto, que só com um olhar ou expressão já saiba como estou. Sério. Cansei de mim. Alguém quer pra si? To me dando pra quem quiser, porque, eu não me quero.

Natal e sua hipocrisia.

Eu andei pensando sobre o natal….
Sinceramente é uma época que nunca me agradou. nem mesmo quando criança. Mesmo que quando criança, eu achasse interessante as luzes, as pessoas, as roupas e como tudo mudava apenas e somente naquela época,  eu não gostava, só achava interessante. Em pouco tempo natal, se tornou simbolo de hipocrisia pra mim, afinal,  eu nunca vi o porque de somente no natal você querer fazer coisas boas,  querer ser amigável, ser hipocritamente bom. Com o tempo pra mim o natal desbotou, perdeu todo brilho e o charme fugaz, se tornou simplesmente uma celebração mesquinha que simboliza o consumismo;E nem me venham com a historia cristã.  Nenhum de vocês realmente pensa nisso quando lembram da palavra “natal”. A maioria vai lembrar da ceia de natal, dos parentes chatos, dos amigos secretos, da família e principalmente dos presentes. Em pouquíssimo tempo o natal se tornou uma data consumista e hipócrita, que só me traz dores de cabeça, confusões e desgostos. E querem saber…

Inimigos Amantes

Ventos frios o cercam na alto da colina, ele põe a mão no cabo de sua espada, olha para os 40 mil soldados sobre o estandarte branco dos Stark atrás de si, seus guerreiros, seus irmãos de armas. E a sua frente os 50 mil homens sob o estandarte carmesim dos Lannister, seus inimigos, comandados por uma mulher misteriosa, uma Lannister desconhecida. De seu garanhão cinza ele olha para o lobo gigante ao seu lado, negro como a noite mais tenebrosa e de olhos mais vermelhos e quentes que o próprio fogo.
   Yuri, Rei do Norte, ouve a trompa de guerra soando do lado Lannister, então dá o sinal ao seus homens indicando que a batalha começou, e erguendo Gelo, sua espada, solta o grito de guerra:
  - Por Winterfell!!!!!
  As duas tropas avançam uma sobre a outra, e ao se encontrarem inicia-se uma batalha sangrenta.Yuri avança junto ao seu lobo, Sombra avança ferozmente arrancando a cabeça de homens e cavalos com uma única mordida, e em movimento mais rápidos que um piscar de olhos. Em meio a b…

Um cadáver ouve rádio - Parte 6

No enterro alguém chora por todos Rafael alugou um táxi e com dona Juliana e Leo foram para o distante cemitério onde, por conta da Prefeitura, Alexandre de Souza, o Boa-Vida, seria enterrado como indigente. Levavam flores e algum dinheiro para gratificar os coveiros. Ao contrário do que esperavam, outras pessoas estavam presentes no sepultamento: o dono de um bar, um garçom de restaurante, madame Santa, Dona Maria, para quem às vezes Boa-Vida entregava vestidos, o porteiro de um dos teatros do Bexiga e dois pedreiros.
Um Padre, provavelmente conhecido de madame Santa, iniciou uma oração fúnebre, logo perturbada pelo choro convulsivo e inesperado de uma mulher, vestida de preto, a última a chegar.
- Quem é ela? - perguntou Rafael à dona Juliana.
- Não sei.
- Parece pessoa da família.
- Ele nunca disse que tinha parentes - lembrou dona Juliana, tentando prestar atenção às palavras do padre.
A mulher, conservando-se um pouco afastada, com a cabeça curvada sobre o peito, apertava nos olhos um l…

Bagunça

Tic tac tic tac
Espanto; confusão; desordem geral.
Esses são os nomes dos sentimentos que estão te rodeando
nesse momento.
 Afinal,descobertas inesperadas,
decisões ainda não tomadas...
Uma baderna sem tamanho!
E chega a ser frustante,
afinal é costume ter controle sobre tudo.
Mas, e ai? O que vais fazer? Está pronta(o)? Já tomou sua decisão?
Tic tac tic tac
Sim ou Não?!
Vais voltar ou seguir?
Ficar ou ir? Contar ou guardar?
Pensar sobre isso ou esquecer?
Tic Tac tic tac
Hein?
Então?
Alguma ideia se é amor ou não?
Talvez uma simples paixão?
Está encrencada(o) ou não?
Pensar muito nisso
Te deixa sem ação?
Te deixa Sem chão?
Sim ou não?!
Tic tac tic tac
Já se decidiu?
Sim ou não?
GAME OVER.

Um falso amor

Sinto-me como se fosse apenas um pequeno e indefeso ser, que está sozinho há muito tempo, e que por conta de vários acasos desacredita nesse tal de “amor”.  Você me veio como um anjo, cheio de graça e com toda simpatia, era sempre muitíssimo carinhoso, companheiro, enfim, parecia-me perfeito. Mostrou-me como o mundo podia ser belo, como todos eram felizes e alegres... Mas, então veio a discórdia, e junto com ela as brigas, as incertezas, a falta de confiança, tudo estava sendo tão cansativo, mas, eu tentei, eu juro que tentei, dei o meu melhor para que tudo voltasse a ser como era antes. Mas, você foi embora, assim como todos os outros fizeram, nem se quer deu-me uma explicação, e junto consigo, levou minha paz, minha sanidade, e agora? Dei-te todo o meu amor, mas, você não quis cuidar... Descobri você tinha achado alguém melhor. Você foi embora, e agora, resta-me apenas a lástima, por um dia ter-te amado tanto assim.

Filme de Terror

Você se sente tão sozinho
largado nesta imensidão
Sente um vazio grande
neste mundo sem razão.
É uma guerra
um filme de terror
uma grande conspiração

Ninguem ouvirá teu sussurro
ninguem ouvirá teu clamor
Você está preso neste mundo
você está preso neste filme de terror

Você se sente solitário
perdido no mar da dor
escondido no recanto do rancor
Você e esse teu jeito ilário
de achar que tudo de mal acabou.

Ninguem ouvirá teu sussurro
ninguem ouvirá teu clamor
Você está preso neste mundo
você está preso neste filme de terror

Maquiagem

Você é secador de cabelos...
Sopra em mim sentimentos
já conhecido pelos poetas

Você é alisador...
Aquece meus sonhos,
desencaracola minha poesia

Sou base, pó compacto,
rímel e Blush, enfim.
Maqueio a tristeza em mim
por estar longe de tí.

Tem certos momentos na vida...

Tem certos momentos na vida, Que precisamos escolher um novo caminho a seguir, Nem sempre é o caminho mais fácil, e nos perguntamos; por que escolhemos? Podemos tirar disso uma lição, ao vivenciamos momentos bons e ruins. Porque ser feliz todo tempo é impossível, mas buscar a felicidade pode ser feito em qualquer parte do caminho que escolhemos. Tem certos momentos que só queremos alguém que nos acompanhe em nosso caminho, e quando precisamos caminhar sozinho nos desesperamos, mas com a esperança que está logo ali em alguma curva, vai aparecer alguém que nos faça companhia. Em um novo caminho podemos escrever uma nova historia!

Dizem que o tempo cura tudo...

Dizem que o tempo cura tudo... Talvez seja verdade, talvez não... Há feridas que ficam abertas por um tempo indeterminado. Não param de sangrar, estão sempre em nós, presentes, lembrando que no meio do caminho algo saiu errado. Que em nossa trajetória, em algum momento, foi tirado de nós o direito de sermos felizes...

Padre? - Parte 3

- Onde é que eu tava com a cabeça? Melhor eu ir pra casa, não tem como isso dar certo, não tem como.
  Yuri tira a estola todo atrapalhado e a poe na mesa.
  - Onde eu tava com a cabeça quando aceitei realizar um casamento logo no começo dessa coisa de padre?
  - Amor, te acalma. - interrompe Rebecca sentando Yuri a força num banquinho. - Vai dar tudo certo, e você aceitou o casamento logo de cara por que não resiste a um desafio que eu bem sei. - e Rebecca poe a estola em volta do pescoço dele com cuidado, deixando-a bem ajeitada - Você vai se sair bem guri, agora vá lá e arrase!!
  Yuri ainda sentado, olha para cima, para o rosto de sua namorada, dá um sorriso de quem topa a empreitada, levanta, a abraça e lhe segreda ao ouvido:
  - Obrigado pelo apoio pequena, tu é show!! E se o Bento não estivesse morto, eu matava ele, hahahaha.
O jovem padre se encaminha até o altar, e a poucos passos de lá, sussurra pra si "É hora do show", e já tendo tomado seu lugar em frente ao no…

Um cadáver ouve rádio - Parte 5

Enfim, a arma do crime Rafael e Juliana, pais de Yuri, não se conformaram depressa com a morte de Boa-Vida. Sentiriam muito a falta de seus baiões, suas histórias e de seu acentuado sotaque nordestino. Dimitri, o caçula, perdeu até a vontade de brincar e vovô Pascoal, com seus oitenta anos, e que de música aceitava apenas canções italianas, derramou uma lágrima pelo sanfoneiro. Dona Juliana só fazia uma restrição ao Alexandre: - Seu defeito era ser um tanto egoísta. - Egoísta, o Boa-Vida? - discordou Rafael. - Um homem que apenas amava sua liberdade! - Não lembra o que disse domingo? Se ganhasse na loteria, não daria um centavo para ninguém. Gastaria tudo em viagens. - Mas dar para quem? Era sozinho no mundo. Infeliz! Viajou para o desconhecido. - Amanhã vamos ao enterro dele em Vila Formosa - disse dona Juliana. - O corpo já foi liberado pelo Instituto Medico Legal. Vai ser uma tristeza. Duvido que alguém apareça além de nós. Yuri murmurou um tchau e seguiu para o Morro dos Ingleses, onde Re…

Surpresas da noite

Já era tarde da noite, Fernando e seus amigos vinham por uma rua perto de um matagal, quando uns barulhos estranhos são ouvidos. Fernando entra no matagal pra investigar, mas o tempo passar e nada dele voltar ou ao menos dar sinal de vida, seus amigos chamam por ele mas não obtém resposta. Então um dos amigos resolve estrar no matagal atras dele, mas quando esse amigo dá o primeiro passo em direção ao matagal, todos ouvem um assobio, o assobio de uma música macabra.
  Então surge alguém puxando um corpo, o de Fernando, todo sujo de sangue, esse alguém trajado de Coringa, mas a maquiagem levemente estragada pelo sangue de Fernando, assim como seu terno roxo, salpicado de rubro. Com a aparição, começam os gritos e choro, os amigos de Fernando ficam tão assustados que nem fugir conseguem,  o maníaco se aproxima deles brincando com uma faca entre os dedo, e quando chega bem próximo  dando de se sentir o hálito dele, a criatura desata a rir. Eles não entendem nada, e quase tem um infarto…

Azar no amor, sorte no azar

Estou cansada desses joguinhos que fazem comigo, estou cansada também de ter pessoas me iludindo. É sempre a mesma coisa, sempre a mesma história, todo esse sofrimento veio com um indicio de felicidade. Mas, não era, novidade (?). Sempre assim, te conheço, te gosto, confio, amo, e quebro a cara. Acho que isto está me matando, simplesmente; não poder confiar em ninguém, não é lá muito legal. Gostaria de ter um amor daqueles sabe? Que se tem certeza de tudo, que se sabe, que a felicidade ali habita. Eu queria formar um casal fofinho, porém não chatinho, daqueles que se brigam, mas, dois minutos depois já estão abraçados novamente. Eu queria, mas, não posso. Como era mesmo aquele ditado? Sorte no jogo, azar no amor? Acho eu que uma nova versão seria mais correta em meu caso: “Azar no amor, sorte no azar” É, parece-me correto agora. Queria apenas saber por que a vida me prega peças, porque não posso simplesmente, ser neutra? Seria legal né?  Pena que não posso a realidade não deixa. Ouv…

É assim que as coisas são.

E o eterno vira temporário,
o para sempre vira estante,
amar vira gostar,
a falsidade se torna verdadeira. A verdade se torna falsa O amigo se torna inimigo O inimigo se torna amigo O presente se torna passado O futuro se torna presente O passado continua passado O Tempo começa a se movimentar Uma semana vira um ano Um ano vira uma década
Uma década vira um século Um século vira um milênio O antigo se torna novo O novo vira velho A moda muda
Os sentimentos também As pessoas não são mais as mesmas
E É assim que são as coisas.

Palavras de um Cavaleiro

Ouço o chamado do vento
Me levanto então.
Bato o pé,
Ergo a espada,
Solto um brado,
Corro com o escudo em outra mãoVou para a luta,
Almejando a glória.
Luto com honra,
Sonhando com a históriaSou um cavaleiro,
Sou um lutador,
Mas acima de tudo,
Um sonhador.

Padre? - Parte 2

- Pois bem, tenho a minha resposta.
  - E qual é? - Perguntam todos em uníssono e se levantando ao mesmo tempo.
   Yuri puxa a namorada, lhe sapeca um beijo e responde com a maior naturalidade do mundo:
  - A partir de agora sou o padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.
Ao ouvirem a resposta, todos na sala tem as mais diferentes reações, o advogado acena com a cabeça feliz, o pai de Yuri se deixa cair na poltrona, a namorada de Yuri, Rebecca, o empurra assustada, e os outros se dividem entre o espanto e o riso, então, a sala cai num silencio meio constrangedor, menos pra Yuri, que continua sorrindo. Então o silencio é quebrado por Rebecca, que pergunta:
  - Então ... agora que vai ser padre, vamos terminar?
Yuri fingindo confusão pergunta:
  - De onde tirou isso menina?
  - Ora, tu não vai ser padre? Que eu saiba padre não pode namorar. - Responde Rebecca olhando intrigada para seu namorado, sem entender nada mais do que ele fala. - Não estou certa?
  - Estaria se não fosse …

Hoje é só mais um dia daqueles

Hoje eu acordei com uma vontade inexplicável de ficar na cama sabe? Uma vontade de desistir das pessoas, do mundo. Mas, lembrei-me de cada momento feliz que já passei; cada conquista, cada abraço apertado que ganhei daqueles amigos, que eu sei, são para a vida inteira. Então, resolvi levantar e lutar! Mais uma vez, estou aqui com um sorriso que não me pertence, com algo que não é meu. Com as tristezas escondidas numa maquiagem, num cabelo arrumado, e em um sorriso forjado. É cansativo viver assim sabe, sempre me camuflando, escondendo meus sentimentos, para que as pessoas não achem que sou apenas uma “coitadinha”... Algumas vezes eu só quero um colo, um carinho, mas, até isso é difícil nos dias de hoje; porque as pessoas não se importam mais umas com as outras, é triste ver no que a humanidade tornou-se! Todos apenas pensam em dinheiro e mais dinheiro, esquecem da sua felicidade, esquecem que quando morrem o dinheiro não vai junto a ti. Então me diz, por que fazem isso?. Hoje é só ma…

Um cadáver ouve rádio - Parte 4

Lágrimas que decidem Já na casa do primo Francisco, que, sentado na cadeira de rodas, ouvia a tudo atentamente, Yuri mostrou o seu achado. - Estava dentro do folheto de turismo. - Um cartão de loteria. - Jogava todas as semanas. Uma vez fez 12 pontos. Quase sofreu um colapso. - Quantos pontos fez dessa vez? - Não contei. Tia Nina, mãe de Francisco, entrou com o café. Era uma mulher alegre, mas naquele fim de tarde não estava com boa cara, os olhos muito vermelhos. O filho acariciou-lhe o braço.
- Ela gostava muito de Boa-Vida. Aquele pau-de-arara sabia agradar as pessoas embora quase sempre por interesse.
- Não era tão interesseiro - retrucou tia Nina. - Lá na cantina, onde trabalho, tocava sanfona e cantava em troca de um simples prato de comida. Uma vez quiseram contratá-lo por três meses. Recusou. Detestava compromissos.
- Ia mesmo falar da sanfona - Lembrou Yuri. - Foi o único objeto de propriedade de Boa-Vida que desapareceu. Provavelmente mataram-no apenas para roubá-la.
- Era uma concerti…

A história de Pepito parte I

Se a vida me ensinou alguma coisa é que tudo é no seu tempo. Se tu, que esperas que de uma hora para outra vá cair alguma dádiva infinda pra ti? Engana-te ó pequenino. Quando você nasceu estava escrito no seu destino que batalharia, seria aquela pessoa que mudaria o convívio, as vírgula do todo mundo o mosca chata na sopa... É, tu, que vives lamuriando-se, por uma oportunidade fugaz, que de uma hora pra outra já é passado e que agora vê que tudo não passou de um sonho... Vida, perdoe aqueles que agem assim, pois eles são tolos não sabem aquilo que a vida prega dentre os inóspitos alpendres que iremos passar pensamos que se a vida ensinasse inicio essa história, a história de uma criatura pequena, linda, fofuruxa, que veio ao mundo para encantar à todos... Era um dia comum, como qualquer outro, e, numa fazenda nos confins  de qualquer lugar do mundo, nasceu o cachorrinho mais fofo do mundo... Seu nome é Pepito, e a historinha começou assim: 
- mãe, cadê a senhora?
- Tou aqui filho.
- Já…

Um cadáver ouve rádio - Parte 3

Quem odiaria um sanfoneiro? O doutor Arruda aceitou a hipótese de Yuri. O rapaz tinha mesmo boa cabeça para detetive, demonstrada outras vezes. Queria, porém, mais informações sobre Alexandre. O mensageiro precisava voltar ao hotel. Prontificou-se a levá-lo em uma viatura, os dois no banco traseiro. - Vocês papeavam muito? - Boa-Vida falava demais. O homem mais alegre e falador que já vi. E se trazia a sanfona fazia festa sozinho. - Não teria vendido a sanfona? - Posso apostar que não. Seria como vender a própria alma. Graças a ela ganhava algum dinheiro nos forrós, restaurantes e festas do bairro. - Domingo estava preocupado, diferente dos outros dias? - quis saber o delegado. Yuri sacudiu a cabeça, impossibilitando qualquer dúvida. - Só mostrava preocupação com a loteria. Não que fosse um jogador. O que queria era viajar. Sabe que um dia fez uma ligação telefônica para Roma? E só pelo prazer de falar com uma terra distante. Parece até loucura, não? O delegado precisava de informações mais qu…

Era, não é e sim eu sou assim.

E as lagrimas caem aos montes, seu coração esta despedaçado e você não sabe o que fazer, dizer ou pensar, porque a dor que sentes não deixa e em breve o vazio te consome e perdes aquele brilho esplendido que teus olhos tinham quando ainda sentia aquele sentimento…Qual mesmo o nome do maldito?
Você não consegue lembrar porque o vazio consumiu e está te afogando, matando aos poucos e qualquer sentimento diferente de tristeza, dor e solidão parecem ser boias salvas-vidas, pena que elas são leves demais pra te salvar do afogamento que o vazio está te proporcionando, porque nenhum desses sentimentos vai te salvar desse abismo…E isso doí e você que antes era todo sorrisos e alegria, está apática e vazia, está murcha, está solitária, se enterrando em si mesma, sem forças pra levantar ou mudar e você se pergunta, ” Por que ninguém me ajuda? Me salva disso?” E ai você lembra que você não contou o que anda sentindo pra ninguém, porque preocupa-los seria péssimo e se culpa por isso, porque quer e…

Um cadáver ouve rádio - Parte 2

Yuri chega ao local do crime Yuri Santos, vestindo o uniforme de mensageiro de hotel, foi um dos primeiros moradores do bairro, Bela Vista, a comparecer ao local do crime. O pedido, por telefone, feito pelo próprio delegado, surpreendeu-o. - Podia deixar o hotel por uma hora e vir ao Bexiga reconhecer o corpo de um homem assassinado? - Conheço essa pessoa, doutor? - Informaram que se trata de amigo de sua familia. Se tivesse telefone em casa, convocaria seu pai. Anote o endereço. Yuri, atendendo ao telefonema no balcão da portaria do hotel, ficou tenso. - Quem foi assassinado? - O Alexandre. Yuri, aliviado: - Não conheço nenhum Alexandre. - O vigia de uma obra paralisada. - Não conhecemos vigia de obra alguma, doutor. - Mesmo assim venha. Yuri pediu licença a Genival, o gerente do hotel, saiu, e perguntou ao Gino, o porteiro: - Conhece no Bexiga um vigia de obra chamado Alexandre? - Não - respondeu Gino, antigo morador do bairro e dono de boa memória. - Seja quem for, mataram o coitado. Ao chegar no en…

Em paz

Se a vida não me ensinasse,
a aprender que somos capazes,
após sentimentos fugazes,
entre nosso próprio enlace...

se tu me amas ou não,
pouco me importo,
fotos nossas juntos recorto,
para agravar a separação,

se 'inda resta, amor,
com um pouco de amor,
deixe me em paz!!!

Um Cadáver ouve rádio - Parte 1

Foi mais ou menos assim que o pequeno Muriçoca, pálido, trêmulo, gaguejando, contou ao delegado distrital, doutor Arruda, depois de tomar um copo de água numa única e febril virada: - Parei na entrada da construção por causa da chuva. Fiquei lá um tempo e então subi as escadas. - Por que subiu? - À procura de emprego, doutor. Estou sempre tentando. - Você mora numa casa de cômodos perto da obra. Não sabia que está paralisada há muito tempo? A pergunta agiu como uma prensa: hesitante, Muriçoca pareceu ainda menor e mais desamparado na delegacia. Olhou para o copo vazio sobre a mesa, suplicando mais água. Aquilo era medo. - Sabia ou nãosabia? - exigiu saber Bruno, o investigador que acompanhava o depoimento. - Sabia - confirmou o rapaz, juntando os punhos, culposamente à espera das algemas. - Para que então pretendia pedir emprego numa obra abandonada? - perguntou o delegado. - Ouvi o rádio lá em cima. Fácil lembrar. A cena ficará impressa na memória de Muriçoca como uma fita de televisão que s…