Postagens

Mostrando postagens de Novembro, 2012

Padre? - Parte 3

- Onde é que eu tava com a cabeça? Melhor eu ir pra casa, não tem como isso dar certo, não tem como.
  Yuri tira a estola todo atrapalhado e a poe na mesa.
  - Onde eu tava com a cabeça quando aceitei realizar um casamento logo no começo dessa coisa de padre?
  - Amor, te acalma. - interrompe Rebecca sentando Yuri a força num banquinho. - Vai dar tudo certo, e você aceitou o casamento logo de cara por que não resiste a um desafio que eu bem sei. - e Rebecca poe a estola em volta do pescoço dele com cuidado, deixando-a bem ajeitada - Você vai se sair bem guri, agora vá lá e arrase!!
  Yuri ainda sentado, olha para cima, para o rosto de sua namorada, dá um sorriso de quem topa a empreitada, levanta, a abraça e lhe segreda ao ouvido:
  - Obrigado pelo apoio pequena, tu é show!! E se o Bento não estivesse morto, eu matava ele, hahahaha.
O jovem padre se encaminha até o altar, e a poucos passos de lá, sussurra pra si "É hora do show", e já tendo tomado seu lugar em frente ao no…

Um cadáver ouve rádio - Parte 5

Enfim, a arma do crime Rafael e Juliana, pais de Yuri, não se conformaram depressa com a morte de Boa-Vida. Sentiriam muito a falta de seus baiões, suas histórias e de seu acentuado sotaque nordestino. Dimitri, o caçula, perdeu até a vontade de brincar e vovô Pascoal, com seus oitenta anos, e que de música aceitava apenas canções italianas, derramou uma lágrima pelo sanfoneiro. Dona Juliana só fazia uma restrição ao Alexandre: - Seu defeito era ser um tanto egoísta. - Egoísta, o Boa-Vida? - discordou Rafael. - Um homem que apenas amava sua liberdade! - Não lembra o que disse domingo? Se ganhasse na loteria, não daria um centavo para ninguém. Gastaria tudo em viagens. - Mas dar para quem? Era sozinho no mundo. Infeliz! Viajou para o desconhecido. - Amanhã vamos ao enterro dele em Vila Formosa - disse dona Juliana. - O corpo já foi liberado pelo Instituto Medico Legal. Vai ser uma tristeza. Duvido que alguém apareça além de nós. Yuri murmurou um tchau e seguiu para o Morro dos Ingleses, onde Re…

Surpresas da noite

Já era tarde da noite, Fernando e seus amigos vinham por uma rua perto de um matagal, quando uns barulhos estranhos são ouvidos. Fernando entra no matagal pra investigar, mas o tempo passar e nada dele voltar ou ao menos dar sinal de vida, seus amigos chamam por ele mas não obtém resposta. Então um dos amigos resolve estrar no matagal atras dele, mas quando esse amigo dá o primeiro passo em direção ao matagal, todos ouvem um assobio, o assobio de uma música macabra.
  Então surge alguém puxando um corpo, o de Fernando, todo sujo de sangue, esse alguém trajado de Coringa, mas a maquiagem levemente estragada pelo sangue de Fernando, assim como seu terno roxo, salpicado de rubro. Com a aparição, começam os gritos e choro, os amigos de Fernando ficam tão assustados que nem fugir conseguem,  o maníaco se aproxima deles brincando com uma faca entre os dedo, e quando chega bem próximo  dando de se sentir o hálito dele, a criatura desata a rir. Eles não entendem nada, e quase tem um infarto…

Azar no amor, sorte no azar

Estou cansada desses joguinhos que fazem comigo, estou cansada também de ter pessoas me iludindo. É sempre a mesma coisa, sempre a mesma história, todo esse sofrimento veio com um indicio de felicidade. Mas, não era, novidade (?). Sempre assim, te conheço, te gosto, confio, amo, e quebro a cara. Acho que isto está me matando, simplesmente; não poder confiar em ninguém, não é lá muito legal. Gostaria de ter um amor daqueles sabe? Que se tem certeza de tudo, que se sabe, que a felicidade ali habita. Eu queria formar um casal fofinho, porém não chatinho, daqueles que se brigam, mas, dois minutos depois já estão abraçados novamente. Eu queria, mas, não posso. Como era mesmo aquele ditado? Sorte no jogo, azar no amor? Acho eu que uma nova versão seria mais correta em meu caso: “Azar no amor, sorte no azar” É, parece-me correto agora. Queria apenas saber por que a vida me prega peças, porque não posso simplesmente, ser neutra? Seria legal né?  Pena que não posso a realidade não deixa. Ouv…

É assim que as coisas são.

E o eterno vira temporário,
o para sempre vira estante,
amar vira gostar,
a falsidade se torna verdadeira. A verdade se torna falsa O amigo se torna inimigo O inimigo se torna amigo O presente se torna passado O futuro se torna presente O passado continua passado O Tempo começa a se movimentar Uma semana vira um ano Um ano vira uma década
Uma década vira um século Um século vira um milênio O antigo se torna novo O novo vira velho A moda muda
Os sentimentos também As pessoas não são mais as mesmas
E É assim que são as coisas.

Palavras de um Cavaleiro

Ouço o chamado do vento
Me levanto então.
Bato o pé,
Ergo a espada,
Solto um brado,
Corro com o escudo em outra mãoVou para a luta,
Almejando a glória.
Luto com honra,
Sonhando com a históriaSou um cavaleiro,
Sou um lutador,
Mas acima de tudo,
Um sonhador.

Padre? - Parte 2

- Pois bem, tenho a minha resposta.
  - E qual é? - Perguntam todos em uníssono e se levantando ao mesmo tempo.
   Yuri puxa a namorada, lhe sapeca um beijo e responde com a maior naturalidade do mundo:
  - A partir de agora sou o padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo.
Ao ouvirem a resposta, todos na sala tem as mais diferentes reações, o advogado acena com a cabeça feliz, o pai de Yuri se deixa cair na poltrona, a namorada de Yuri, Rebecca, o empurra assustada, e os outros se dividem entre o espanto e o riso, então, a sala cai num silencio meio constrangedor, menos pra Yuri, que continua sorrindo. Então o silencio é quebrado por Rebecca, que pergunta:
  - Então ... agora que vai ser padre, vamos terminar?
Yuri fingindo confusão pergunta:
  - De onde tirou isso menina?
  - Ora, tu não vai ser padre? Que eu saiba padre não pode namorar. - Responde Rebecca olhando intrigada para seu namorado, sem entender nada mais do que ele fala. - Não estou certa?
  - Estaria se não fosse …

Hoje é só mais um dia daqueles

Hoje eu acordei com uma vontade inexplicável de ficar na cama sabe? Uma vontade de desistir das pessoas, do mundo. Mas, lembrei-me de cada momento feliz que já passei; cada conquista, cada abraço apertado que ganhei daqueles amigos, que eu sei, são para a vida inteira. Então, resolvi levantar e lutar! Mais uma vez, estou aqui com um sorriso que não me pertence, com algo que não é meu. Com as tristezas escondidas numa maquiagem, num cabelo arrumado, e em um sorriso forjado. É cansativo viver assim sabe, sempre me camuflando, escondendo meus sentimentos, para que as pessoas não achem que sou apenas uma “coitadinha”... Algumas vezes eu só quero um colo, um carinho, mas, até isso é difícil nos dias de hoje; porque as pessoas não se importam mais umas com as outras, é triste ver no que a humanidade tornou-se! Todos apenas pensam em dinheiro e mais dinheiro, esquecem da sua felicidade, esquecem que quando morrem o dinheiro não vai junto a ti. Então me diz, por que fazem isso?. Hoje é só ma…

Um cadáver ouve rádio - Parte 4

Lágrimas que decidem Já na casa do primo Francisco, que, sentado na cadeira de rodas, ouvia a tudo atentamente, Yuri mostrou o seu achado. - Estava dentro do folheto de turismo. - Um cartão de loteria. - Jogava todas as semanas. Uma vez fez 12 pontos. Quase sofreu um colapso. - Quantos pontos fez dessa vez? - Não contei. Tia Nina, mãe de Francisco, entrou com o café. Era uma mulher alegre, mas naquele fim de tarde não estava com boa cara, os olhos muito vermelhos. O filho acariciou-lhe o braço.
- Ela gostava muito de Boa-Vida. Aquele pau-de-arara sabia agradar as pessoas embora quase sempre por interesse.
- Não era tão interesseiro - retrucou tia Nina. - Lá na cantina, onde trabalho, tocava sanfona e cantava em troca de um simples prato de comida. Uma vez quiseram contratá-lo por três meses. Recusou. Detestava compromissos.
- Ia mesmo falar da sanfona - Lembrou Yuri. - Foi o único objeto de propriedade de Boa-Vida que desapareceu. Provavelmente mataram-no apenas para roubá-la.
- Era uma concerti…

A história de Pepito parte I

Se a vida me ensinou alguma coisa é que tudo é no seu tempo. Se tu, que esperas que de uma hora para outra vá cair alguma dádiva infinda pra ti? Engana-te ó pequenino. Quando você nasceu estava escrito no seu destino que batalharia, seria aquela pessoa que mudaria o convívio, as vírgula do todo mundo o mosca chata na sopa... É, tu, que vives lamuriando-se, por uma oportunidade fugaz, que de uma hora pra outra já é passado e que agora vê que tudo não passou de um sonho... Vida, perdoe aqueles que agem assim, pois eles são tolos não sabem aquilo que a vida prega dentre os inóspitos alpendres que iremos passar pensamos que se a vida ensinasse inicio essa história, a história de uma criatura pequena, linda, fofuruxa, que veio ao mundo para encantar à todos... Era um dia comum, como qualquer outro, e, numa fazenda nos confins  de qualquer lugar do mundo, nasceu o cachorrinho mais fofo do mundo... Seu nome é Pepito, e a historinha começou assim: 
- mãe, cadê a senhora?
- Tou aqui filho.
- Já…

Um cadáver ouve rádio - Parte 3

Quem odiaria um sanfoneiro? O doutor Arruda aceitou a hipótese de Yuri. O rapaz tinha mesmo boa cabeça para detetive, demonstrada outras vezes. Queria, porém, mais informações sobre Alexandre. O mensageiro precisava voltar ao hotel. Prontificou-se a levá-lo em uma viatura, os dois no banco traseiro. - Vocês papeavam muito? - Boa-Vida falava demais. O homem mais alegre e falador que já vi. E se trazia a sanfona fazia festa sozinho. - Não teria vendido a sanfona? - Posso apostar que não. Seria como vender a própria alma. Graças a ela ganhava algum dinheiro nos forrós, restaurantes e festas do bairro. - Domingo estava preocupado, diferente dos outros dias? - quis saber o delegado. Yuri sacudiu a cabeça, impossibilitando qualquer dúvida. - Só mostrava preocupação com a loteria. Não que fosse um jogador. O que queria era viajar. Sabe que um dia fez uma ligação telefônica para Roma? E só pelo prazer de falar com uma terra distante. Parece até loucura, não? O delegado precisava de informações mais qu…

Era, não é e sim eu sou assim.

E as lagrimas caem aos montes, seu coração esta despedaçado e você não sabe o que fazer, dizer ou pensar, porque a dor que sentes não deixa e em breve o vazio te consome e perdes aquele brilho esplendido que teus olhos tinham quando ainda sentia aquele sentimento…Qual mesmo o nome do maldito?
Você não consegue lembrar porque o vazio consumiu e está te afogando, matando aos poucos e qualquer sentimento diferente de tristeza, dor e solidão parecem ser boias salvas-vidas, pena que elas são leves demais pra te salvar do afogamento que o vazio está te proporcionando, porque nenhum desses sentimentos vai te salvar desse abismo…E isso doí e você que antes era todo sorrisos e alegria, está apática e vazia, está murcha, está solitária, se enterrando em si mesma, sem forças pra levantar ou mudar e você se pergunta, ” Por que ninguém me ajuda? Me salva disso?” E ai você lembra que você não contou o que anda sentindo pra ninguém, porque preocupa-los seria péssimo e se culpa por isso, porque quer e…

Um cadáver ouve rádio - Parte 2

Yuri chega ao local do crime Yuri Santos, vestindo o uniforme de mensageiro de hotel, foi um dos primeiros moradores do bairro, Bela Vista, a comparecer ao local do crime. O pedido, por telefone, feito pelo próprio delegado, surpreendeu-o. - Podia deixar o hotel por uma hora e vir ao Bexiga reconhecer o corpo de um homem assassinado? - Conheço essa pessoa, doutor? - Informaram que se trata de amigo de sua familia. Se tivesse telefone em casa, convocaria seu pai. Anote o endereço. Yuri, atendendo ao telefonema no balcão da portaria do hotel, ficou tenso. - Quem foi assassinado? - O Alexandre. Yuri, aliviado: - Não conheço nenhum Alexandre. - O vigia de uma obra paralisada. - Não conhecemos vigia de obra alguma, doutor. - Mesmo assim venha. Yuri pediu licença a Genival, o gerente do hotel, saiu, e perguntou ao Gino, o porteiro: - Conhece no Bexiga um vigia de obra chamado Alexandre? - Não - respondeu Gino, antigo morador do bairro e dono de boa memória. - Seja quem for, mataram o coitado. Ao chegar no en…

Em paz

Se a vida não me ensinasse,
a aprender que somos capazes,
após sentimentos fugazes,
entre nosso próprio enlace...

se tu me amas ou não,
pouco me importo,
fotos nossas juntos recorto,
para agravar a separação,

se 'inda resta, amor,
com um pouco de amor,
deixe me em paz!!!

Um Cadáver ouve rádio - Parte 1

Foi mais ou menos assim que o pequeno Muriçoca, pálido, trêmulo, gaguejando, contou ao delegado distrital, doutor Arruda, depois de tomar um copo de água numa única e febril virada: - Parei na entrada da construção por causa da chuva. Fiquei lá um tempo e então subi as escadas. - Por que subiu? - À procura de emprego, doutor. Estou sempre tentando. - Você mora numa casa de cômodos perto da obra. Não sabia que está paralisada há muito tempo? A pergunta agiu como uma prensa: hesitante, Muriçoca pareceu ainda menor e mais desamparado na delegacia. Olhou para o copo vazio sobre a mesa, suplicando mais água. Aquilo era medo. - Sabia ou nãosabia? - exigiu saber Bruno, o investigador que acompanhava o depoimento. - Sabia - confirmou o rapaz, juntando os punhos, culposamente à espera das algemas. - Para que então pretendia pedir emprego numa obra abandonada? - perguntou o delegado. - Ouvi o rádio lá em cima. Fácil lembrar. A cena ficará impressa na memória de Muriçoca como uma fita de televisão que s…

Padre? - Parte 1

- Mas que filho da mãe ...
Yuri cai sentado, incrédulo, com todos os olhares da sala sobre si, ele não acredita no que acaba de ouvir, se isso foi uma brincadeira do Padre Bento ele deve ter perdido o bom humor, pois não via graça nisso, nem mesmo sentido.
  - E então meu jovem, você aceita? Aceita ser o padre da Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo? - Pergunta o advogado
Essas palavras atingem Yuri como uma bala de canhão, de onde Padre Bento tirou a ideia de que um adolescente de 16 anos poderia ser o padre de uma igreja? Ainda mais ele? O que tem o Papa na cabeça pra concordar? E como o Padre Bento conseguiu que ele concordasse?
  Yuri se levanta, pensa em falar algo, mas muda de ideia, se senta novamente e abaixa a cabeça, apoiando-a com as mãos, e diz:
  - Me deem um tempinho pra pensar por favor ...
  - Quer ficar sozinho um pouco filho? - pergunta seu pai, preocupado - Para pensar direito nisso?
  - Po-pode ser pai, obrigado.
Todos se levantam e saem da sala, o advogado, que …

Prum Ex-amor.

Às vezes bate aquela vontade de relembrar o passado e me enterrar nas lembranças, pedir pra você voltar, não por sentir falta da sua pessoa, da sua personalidade abusada e até meio perdida e boba, mas sim daquilo que você era para mim.Dos seus mimos, da sua atenção, da sua forma doce de amar, dos seus momentos fofos, das promessas que deviam ser vazias, mas que na época fizeram sentido e estrago no meu coração.Do que você representou para mim.E ao mesmo tempo…Dá vontade de simplesmente seguir em frente,como sempre,Superar.
Manter a cabeça erguida pro futuro, lembrar que eu não amo mais você, que talvez eu nem tenha amado você e sim gostado do que eu achei ser você. Eu não poderia te amar, mal o conhecia.Fomos apressados, mas adolescente é assim, impulsivo, apressado, estranho e todo complicado.Tentamos ser algo, mas na primeira barreira, quebramos, desmontamos e não voltamos. Foi como uma fase de vídeo game, que assim que teve “game over” nós acabamos e nós não nós demos ao trabalho d…

Chuvisco - Parte 3

Os primeiros raios de sol atingem seus olhos fechados, ele levanta a cabeça, olha ao redor, e de um salto, vai do chão pra cama, e começa a lamber a cara de Chuvisco, Chuvisco vira de lado e empurra Vigia para o outro, Vigia não desiste e dá uma dentada na orelha exposta do palhaço, fazendo ele se sentar em um pulo e um grito, ele olha irritado para o cachorro e diz:
  - Ok, ok, acordei Vigia! Feliz?
  Vigia late e abana o rabo confirmando, fazendo Chuvisco se perguntar se Vigia estava sendo sincero ou sarcástico com ele. Chuvisco levanta e vai até a janela, sentir o sol da manhã, Vigia late para lhe chamar a atenção, Chuvisco se vira, sorri e diz:
  - É, tá na hora, vamos vê-la.

  - Vamos voltar pro circo Vigia, vamos, to muito nervoso. - Dito isso Chuvisco se vira pra ir embora, mas o cachorro late em direção a casa, nosso querido palhaço para de chofre, e resmunga - Vai ter troco ...
Então Bruna surge na janela, toda sorrisos, e Chuvisco vê o pai dela atras, de cara amarrada, ao …

Macabro Amor

Já era tarde, Pedro despencara pela escada assustadíssimo. No quarto de Rogério, uma figura misteriosa saía tranquilamente do móvel de parede e, ao ver Luíza estirada no tapete, não esboçara o menor espanto ou susto. Pegou a bengala, limpou o sangue no vestido da recém-defunta e, o mais estranho,é que a perda de sua irmã não lhe trouxe nenhum sentimento. Como se Luíza nunca tivesse existido, e o cadáver aos seus pés não passasse de uma boneca macabra.   Vívian gira a bengala entre os dedos, assobiando uma música lenta, desce a escada de dois em dois degraus, vai até a cozinha pegando um refrigerante na geladeira e se sentando a mesa, e então se pergunta: — Onde está o bocó do Pedro?
  Pedro sobe na casa da árvore e começa a revirar um velho baú murmurando freneticamente:   — Louca, louca, louca... Minha namorada é uma louca... E então encontra que o procurava, a espada que o avô de Vívian ganhara de um amigo, anos atrás, Pedro a desembainha em um movimento ligeiro, analisa a lamina…

Alguém pra chamar de meu.

Mesmo que eu deseje coisas como, alguém pra cuidar de mim, me amar, entender e ouvir, desejar nem sempre é o bastante…E no meu caso, momentaneamente, só posso desejar. mesmo que eu não creia que exista algum tipo de príncipe que irá me salvar da minha mesmice, dos meus problemas, dos meus anseios, dos meus pulos até o mundo da lua, de mim mesma…Ainda sim, seria ótimo ter alguém que amasse cada coisinha minha, por fazer parte de mim, que soubesse tudo de mim e que só com um olhar entendesse o que se passa nessa cabeça tempestuoso e inquieta, que soubesse me consolar, me animar, me mimar, me fazer ser dele e apenas dele. Que me fizesse ficar perdida em pensamentos sobre ele durante horas, que me tirasse dos meus raciocínios lógicos momentaneamente e me fizesse pensar como estar apaixonada é bobo, que me fizesse confiar nele e que realmente valesse a pena…Que me provasse que o lugar que ele mais quer estar, é ao meu lado. Que tanto o meu mundo, quanto o dele, fica mais colorido quando es…

Doí, mas tem que superar pra melhorar.

Doí, muito mesmo né? É…Ter o coração partido em mais de um trilhão de pedaços, é realmente doloroso…Não sei bem o que é pior, ver que a pessoa que você confidenciou seus sentimentos, pensamentos, angústias, dores, chateações, travessuras, brincadeiras, mimos, promessas, sonhos e todo o seu carinho e amor, te magoar e quebrar aquelas promessas preciosas ou vê-la sorrindo pra outra pessoa…E você que já nem lembrava mais de como era a vida sem a pessoa amada, parece que tem o chão abaixo dos pés quebrado, partido, que ele sumiu e não vai voltar mais. Parece que essa dor nunca mais irá embora e que você nunca vai conseguir supera-la. O mundo já não parece o mesmo, sem aquelas cores a mais que o amor te mostra, os sorrisos são mais raros e as risadas também, a saudade é muito forte e os pensamentos sempre vagão para aquela pessoa especial, as noites são cobertas de lagrimas salgadas e frias, de “Porquê’s” sem resposta e de pensamentos ruins e a solidão chega de mansinho e talvez, até vira …