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Mostrando postagens de Junho, 2017

Ah! Dor!

Os pulmões doíam
O coração doía
Logo ela, correu para tentar amenizar a dor
No peito colocou um pano com gelos

Ali ela ficou
Sentindo a queimação fria, que o gelo causará em sua pele ainda quente
Respirava com dificuldade
Questionando a si mesma


Seria capaz o gelo transformar seu coração em algo meramente idêntico?

Cômodos da Saudade

Olho para dentro. Janelas e velhas portas rangendo, deteriorando com o tempo. Há no silêncio desta casa, rachaduras que se conectam umas às outras como linhas no papel; nas paredes.
Durante muito tempo, aquela velha casa de alvenaria sofreu perdas. Famílias iam e vinham. Pessoas solitárias que preferiam isolar-se à casa, em busca da almejada e querida paz, não muito, partiam. Era o silêncio da angustia que exclamava para o preenchimento do espaço vazio. Eram: casa e histórias.
Lembro de quando aqui, dentro de cada cômodo, era preenchida com tantos sentimentos. Sejam eles bons ou ruins. Era como se cada novo universo se formasse a partir de um pequeno acontecimento. Eu sentia que cada um deles plantavam suas energias. Sentia-me viva!
Com o tempo, fui envelhecendo. Numa noite, não fui capaz de aguentar a forte ventania, meu teto se abriu, causando a queda de alguns de meus telhados no quarto de Pedro, de cinco anos. Uma semana após o ocorrido, partiram.
Pensei comigo mesma: o próximo qu…

Ruas

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Ruas Esburacadas  Outras pavimentadas Sempre movimentadas  Tomadas pelos homens  Motores e pernas  Eles correm  O dever os espera  Indiferente aos que sofrem  Aqueles que habitam as ruas A realidade é nua e crua 
Veio o menino e falou "Tio eu to com fome"  Mas o doutor não tem tempo  Ta atrás do sustento  Da sua amada família  Subiu de cargo, viva a meritocracia!  Só jogou uma moeda e nem viu o valor  Deu as costas e se mandou 10 centavos de quem não se importou  A barriga roncou  Não é falta de méritos  É falta de amor O menino sentou  Abaixou a cabeça e chorou. Ruas A vida continua Na sociedade regida pelo capital  Cruel e mortal  O menino ora e dorme observando a lua.

Rebeca Lima